Histórias e mais histórias: para ler, contar e brincar 

As histórias fazem parte da infância. Elas estimulam a imaginação, alimentam a criatividade e são fonte de diversão.

Quando lemos ou contamos uma história para uma criança, estamos, sobretudo, brincando. Ao mesmo tempo, as histórias aproximam a criança da cultura escrita, apresentam vocabulários, ajudam a construir repertório e a explorar emoções e sentimentos. É por meio das histórias que a criança fará suas primeiras elaborações sobre o mundo.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a leitura para crianças desde os primeiros meses de vida, ainda que o bebê não compreenda o enredo. Além da compreensão da história, o vínculo criado pela voz, pelo colo e pela atenção dedicada ao momento já tem muito valor nessa fase.

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Ler e contar, dois jeitos de viver uma história

Ler é seguir o texto de um livro, respeitando a sequência de palavras escolhida por quem escreveu a história. A leitura pode envolver dramatização, gestos, pausas e mudanças de entonação, dando vida à narrativa de formas variadas.

Para a criança, mesmo antes de saber ler sozinha, esse momento é também uma aproximação com a cultura escrita: ela reconhece diferentes formatos de livros e tipos de letra, folheia páginas, acompanha ilustrações e amplia seu vocabulário a cada leitura.

Contar, por sua vez, é mais livre. Ela pode tanto estar ancorada a um texto escrito quanto nascer da espontaneidade da memória ou da imaginação. Pode ser uma versão livre de uma história conhecida, um causo da infância, uma lenda dos avós, ou uma história inventada na hora. 

Quando a história é inventada, a interação com a criança ganha ainda mais espaço: a criança pode sugerir personagens, decidir o que acontece a seguir e participar ativamente da construção do enredo.

Os dois momentos têm valor

Nenhuma das duas formas é mais importante que a outra. 

Ler apresenta a criança ao universo dos livros e aos diferentes formatos que um texto pode ter, seja uma narrativa com começo, meio e fim, um poema ou mesmo uma lista. 

Contar aproxima a narrativa da oralidade e da tradição, sem a mediação do objeto livro.

Um levantamento da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal sobre os impactos da literatura na primeira infância mostra que ler e contar histórias, além de fortalecer vínculos afetivos, contribuem para o avanço de habilidades cognitivas, emocionais, linguísticas e sociais nos primeiros anos de vida. Ainda segundo o levantamento, crianças que têm contato diário com leitura mediada apresentam avanços significativos na linguagem oral e na capacidade de concentração.

Quando os dois momentos acontecem ao longo da infância, a criança constrói um repertório mais amplo: aprende a ouvir, a imaginar, a antecipar o que vem a seguir e, aos poucos, a se interessar por decifrar sozinha aquelas palavras que antes só existiam na voz de outra pessoa.

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Cada criança se relaciona com a história do seu jeito

Algumas crianças pedem para ouvir a mesma história todas as noites, durante semanas seguidas. Outras preferem mudar sempre, ou interromper a narrativa com perguntas que fogem do enredo. Nenhum desses comportamentos indica um problema a ser corrigido, e sim uma forma própria de se apropriar daquele momento.

Repetir a mesma história várias vezes ajuda a criança a antecipar o que vem a seguir, memorizar trechos e ganhar segurança com a estrutura da narrativa, algo que também acontece quando ela conta a história sozinha, mesmo sem saber ler ainda. Interromper para perguntar também é parte do processo, e costuma ser mais produtivo responder com calma do que insistir em terminar a leitura sem pausas.

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Pequenos momentos de leitura também fazem diferença

É comum a ideia de que é preciso reservar longos períodos para ler ou estabelecer metas de páginas e minutos. Essa cobrança pode transformar um momento de vínculo, descoberta e prazer em mais uma tarefa da rotina.

Mais importante do que a duração do momento de leitura é a qualidade da atenção e da interação que ele proporciona. Mesmo alguns minutos podem ser significativos quando há disponibilidade para ouvir, conversar, imaginar e compartilhar a história.

Um capítulo antes de dormir, uma história inventada no caminho da escola ou uma cantiga durante o banho são oportunidades de ampliar o repertório das crianças e fortalecer sua relação com a linguagem. E essas experiências podem acontecer tanto por meio da leitura de livros quanto da contação de histórias.

Como aproximar leitura e contação da rotina real de casa

Criar momentos de leitura na rotina pode ajudar a tornar as histórias parte do dia a dia das crianças. Não é preciso que sejam momentos longos ou rígidos: alguns minutos de leitura com atenção e envolvimento já podem ser significativos. A hora de dormir é uma boa oportunidade, mas outros momentos também podem se transformar em encontros com histórias.

Alguns caminhos possíveis:

  • aproveitar o trajeto até a escola para contar uma história curta, sem livro;
  • quando o tempo estiver escasso, ler algumas páginas ou uma história mais breve, em vez de deixar a leitura para outro momento;
  • deixar a criança escolher o livro ou o assunto da história, mesmo que queira ouvir o mesmo várias vezes;
  • transformar situações do dia a dia, como uma ida ao mercado, em pequenas narrativas contadas em voz alta.

O importante é cultivar a presença das histórias na rotina, aproveitando tanto os momentos habituais quanto as oportunidades que surgem ao longo do dia.

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Como a Sintonia Educação apoia a leitura e a contação de histórias

Os projetos No Mundo das Histórias e Criança Curiosa: Hora da História reúnem narrativas multiculturais, de origem europeia, africana e indígena, para crianças de 2 a 5 anos.

No Mundo das Histórias são livros grandes, pensados para a prática em sala de aula. As ilustrações são grandes e os livros ainda contam com fotografias e atividades que ampliam a experiência de cada história.

Já no Criança Curiosa: Hora da História, cada criança recebe seu próprio livro, em formato menor, com a mesma narrativa do livro grande da professora. O livro da criança ainda conta com uma versão da contação em áudio e em Libras e atividades para fazer em família depois da leitura, aproximando escola e família em torno da mesma história.

Além de ampliar repertório cultural, o projeto reforça práticas de educação para as relações étnico-raciais, valorizando diferentes culturas desde a Educação Infantil.

Esses recursos ajudam a professora a orientar as famílias com clareza sobre o que realmente importa nesse momento: presença, escuta e repetição, muito mais do que quantidade de páginas.

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Ler, contar, e sobretudo estar presente

Tanto ler quanto contar histórias podem criar momentos de qualidade entre adultos e crianças, de atenção compartilhada, conversa e imaginação.

Uma leitura feita com atenção dispersa pode ser menos significativa do que uma história contada de improviso, em que a atenção está voltada para quem está ouvindo.

Em ambas as ações o que faz diferença é a qualidade do momento, que pode estar presente tanto na leitura de um livro quanto na contação de uma história.

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